O que vou compartilhar não é algo fácil para mim. Afinal de contas quem quer se sentir sem forma? Mas vejo que foi justamente isso que me fez trilhar esse caminho de autoconhecimento e poder hoje ajudar as pessoas hoje, a partir da minha própria experiencia de vida, pois sei que é possível!
Fui uma criança alegre que, com o passar do tempo foi se fechando. Tive razões para isso na minha infância, que em outro momento posso compartilhar também porque foi outro aprendizado! A questão é que, com a consciência infantil que tinha na época fui dando significados às experiencias dolorosaspelas que passei que me levaram a não em reconhecer mais. A situação piorou na adolescência porque não conseguia nem me olhar no espelho, porque não gostava do que via. Fui ficando cada vez mais desconectada de mim mesma e acreditando que tudo o que sonhava seria para mim impossível, como se não fosse merecedora, como se houvesse algo de errado comigo. Minha mãe preocupada, sugeriu que fizesse terapia. Isso por volta dos meus 18 anos.
Eu, a Ameba
Lembro do que disse à terapeuta nessa época: Me sinto uma ameba. Era assim que me via. Sem forma nenhuma. Não me reconhecia… Era uma sensação muito ruim porque parecia que estava desconectada de mim mesma, como se não me achasse dentro do meu próprio ser. Só me conectava com uma melancolia e uma sensação de injustiça. Quem me conhecia, nem podia imaginar que isso se passava dentro de mim. Acho que era por também sempre houve a minha parte que seguia. Conseguia também ver a minha alegria. A parte que queria viver e desfrutar da vida. Ela também estava lá apesar de parecer mais uma companheira ou uma guia, muito mais do que uma parte de mim. Criei momentos muito bons a partir dela! Parece doido isso. Esse antagonismo. Espero que me entendam.
Obrigada Ameba!
O que me impulsionou nessa jornada de autoconhecimento foi justamente essa sensação de ser uma ameba. Hoje percebo isso e sou grata! Estou nesse caminho de mergulho interior há quase 40 anos. Nos 20 primeiros foram altos e baixos que vinham como se não tivesse controle sobre essa montanha russa de emoções. Foi um trabalho de formiguinha e de muita fé para poder dissolver essas camadas enrijecidas que impediam que pudesse me enxergar. Sim, mesmo nos momentos mais desanimadores eu sabia que havia algo maior me amparando. Eu sempre tive essa certeza, mesmo que naquelas situações estivesse desconectada disso. Era como aquele dia nublado, onde não se vê o sol, mas você sabe que ele está atrás das nuvens!
E fui me moldando. Na verdade, fui amolecendo a argila endurecida pelas dores e crenças limitantes. E percebi que a minha forma sempre estivera aí. Foi como reconhecer alguém a quem não via faz tempo, mas que no instante imediato do contato, o sentimento de carinho e empatia se acendeu. E toda essa vivência se transformou na minha vocação. Hoje quero poder ajudar as pessoas a fazerem o mesmo. A se conectarem com a sua própria forma, a sua única maneira de se expressar na vida e valorizar essa expressão! Somos seres singulares, que pulsam de formas diferentes, mas feitos da mesma consciência divina, o que nos une e nos torna iguais, sem que cada um perca a sua singularidade.
Descobri, justamente por esses momentos difíceis, qualidades em mim que nem sabia que tinha: resiliência, fé, força, determinação entre outras.
Agradeço a cada caminho que escolhi, que me trouxe uma pitada do fluxo vital que reacendeu a minha alma: Antroposofia, Pathwork, Eneagrama, Constelação, Mahalilah, Coaching e agora a Astrologia…sem contar com tantos livros inspiradores e pessoas incríveis que me deparei no caminho. E o mais importante: fiz as pazes com a minha própria história. Dei o real significado para as situações. Agradeço à minha família e amigos especiais, com os quais trilhamos juntos esses tantos caminhos. Constatei que nunca não estamos sós e somos muito mais parecidos do que imaginávamos.
Agora sim!
Hoje me olho no espelho e gosto muito do que vejo: me sinto preenchida por dentro, só que de uma forma orgânica e fluida. Consigo expressar e sustentar a minha centelha divina. Consigo cada vez mais expandi-la e criar lindas experiencias de vida e profissionais a partir dela, o que faz com que me conecte cada vez mais com pessoas incríveis neste trabalho do caminho. Tenho muitos aspectos ainda que precisam ser dissolvidos, mas afinal de contas não é para isso que estamos aqui também? Hoje me olho com amor, compaixão, sem também deixar de me auto responsabilizar pelas minhas imaturidades.
Quis compartilhar porque espero que minha experiencia de vida ajude de alguma forma àqueles que porventura se sintam algo parecido com uma ameba. Acredite: é a mais absurda ilusão que pode existir. Queira encontrar o divino tesouro que se esconde por trás desse véu de Maia. E quando atravessar esse véu ilusório, abrace esse lindo ser que habita em você que estava esperando por esse reencontro!
2 respostas
Lindo seu caminho! Fico feliz que poder ter acompanhado bem de perto uma parte dele. Tenho certeza que seus frutos est ao sendo colhidos de toda sua dedicação e estudo e você está deixando sua semente cheia de amor pra muita gente. Sucesso!
obrigada amiga querida